Apesar de menos conhecidas do que a irmã Chichén Itzá, as ruínas de Uxmal são um dos conjuntos mais bem preservados e impressionantes da arqueologia maia no México. Era uma importante cidade na península de Yucantán e foi habitada por vários povos – o mais famoso deles os maias.
Embora Uxmal signifique “construída três vezes”, na verdade a cidade foi erguida em cinco períodos diferentes. Na arquitetura que vemos hoje aparece uma forte influência dos indígenas do Norte do México, em imagens de serpente, símbolos fálicos e colunas. As fachadas são lindas, lindas, trabalhadas quase sempre em honra ao deus Cha’ac, que governava o regime de chuvas.
Sua presença na arquitetura de Uxmal é a prova do quanto a água era escassa e essencial para a sobrevivência da cidade. Yucantán é, na verdade, um grande aquífero, onde a água está concentrada debaixo do solo, protegida por rochas. Não há rios visíveis. Algumas cidades maias têm poços naturais, chamados de cenote. Mas Uxmal, não. A primeira ruína que vemos ao chegar no parque arqueológico é uma espécie de piscina, usada para coletar água no período de chuva. Na seca, essa era a única provisão disponível. Por isso, o centro da cultura em Uxmal era dedicada a Cha’ac, as oferendas eram para que a chuva não faltasse.

Em cima de um morrinho, o Palacio del Gobernador tem a fachada mais detalhada do estilo arquitetônico Pucc, característico da região

O Cuandrángulo é como se fosse uma praça envolta de construções. É de onde se assiste ao 'Luz y Sonidos'
Não há consenso entre os arqueólogos sobre o motivos de Uxmal ter sido abandonada por seu povo em 900 a.C., mas acredita-se que uma seca prolongada tenha tornado a vida inviável na cidade.
Como visitar
Uxmal fica a 80 km de Mérida, no estado mexicano de Campeche. Não é difícil chegar de carro às ruínas e o estacionamento custa US$ 1. Também dá para chegar lá no famoso ônibus da Rota Puuc, mas a volta pode ser demorada. Dependendo da hora – e se for sábado ou domingo – os ônibus de volta para Mérida passam lotados e você terá que esperar na estrada.
Quando fui, o calor estava infernal e eu já estava que nem pimentão, esturricada pelo sol. Com medo de uma insolação, deixei para visitar Uxmal à tarde e ficar à noite para o espetáculo Luz y Sonidos, que conta a história da cidade e sua parceria com Chichén Itzá. É um pouco cafona, mas até que é bonito guardar as lembranças das ruínas sendo iluminadas, coloridas, no breu da noite de Campeche.
A parte engraçada é que na encenação em que os maias pediam chuva à Cha’ac, começou a cair um temporal. Assim que o espetáculo acabou, acabou a chuva. Parece que Cha’ac fez as pazes com Uxmal.
Não é possível visitar Uxmal à noite sem que você já tenha comprado o pacote Luz y Sonidos. Custa cerca de US$ 60, mas inclui transporte Mérida-Uxmal-Mérida, a entrada para o parque e para o espetáculo. Para mim, que não queria tomar sol demais, valeu a pena. Para comprar, fale com o recepcionista do hotel/pousada/albergue onde estiver em Mérida. Eles contratam o serviço na agência de viagens e você só precisa esperar na recepção, na hora marcada. Molezinha.
À tarde, entretanto, o sol e o calor são inevitáveis, então use bastante protetor solar e tome litros de água. A sensação é de tomar um banho de suor, principalmente depois de chegar ao topo da Gran Pirámide. Mas não deixe de subir a escadaria! Será sua única oportunidade de estar no alto de uma pirâmide maia. Todas as outras foram fechadas, porque existe o risco de a pessoa cair.
É que os degraus são estreitos, para que os maias subissem de lado, sem olhar diretamente para o topo, em posição de submissão. Funciona para a devoção. Mas para viajantes, é um perigo.
Outro item importante na visita a Uxmal: repelente. Os mosquitos atacam mesmo! Não se esqueça de levar, tampouco de reaplicar, por causa do suor.







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