Palenque e Chichen Itzá podem ser os sítios arqueológicos mais famosos do Sul do México, mas há outros igualmente impressionantes. Um deles é Yaxchilán, exatamente na fronteira com a Guatemala, à beira do rio Usumacinta, em Chiapas.
O rio, aliás, é a única maneira de se chegar à antiga cidade maia. Eu fui a Yaxchilán partindo de Palenque, rumo à Frontera Corozal para, de lá, pegar um barco. Em Palenque, você pode pagar um passeio de um dia inteiro, que inclui Yaxchilán e Bonampak, outro sítio maia perto da Guatemala. Não é caro e essa realmente é a maneira mais barata de se chegar ao local. Por conta própria vai ser mais difícil, vai consumir muito mais tempo e dinheiro, por causa das passagens terrestres e porque você teria que alugar, por conta própria a lancha e contratar alguém para pilotá-la pelo Usumacinta – o rio é caudaloso e cheio de bancos de areia. Tem que ter experiência com ele, não dá para você simplesmente pilotar o barco, mesmo que saiba. A viagem pelo rio dura quase uma hora, partindo de Frontera Corozal. E o trecho Palenque-Frontera Corozal pouco mais de 4 horas.
A cidade é muito legal porque suas ruínas estão bem completas e você anda por ela tendo aquela sensação de ser transportado no tempo. É inesquecível. A primeira menção sobre Yaxchilán apareceu em 1833. Mas o Instituto Nacional de Antropologia e História do México só fez escavações em 1972-1973, 1983 e no início da década de 1990. Justamente porque ainda é um pouco contramão chegar lá e porque a abertura do sítio é recente, a visitação é pequena. E a sensação de ser transportado no tempo fica melhor ainda: parece que você está um sonho.
Yaxchilán, que significa “pedras verdes”, foi grande centro maia no período clássico. Potência dominante no Usumacinta, teve sob seu jugo centros menores, como Bonampak. Era uma cidade rival de Palenque, com quem guerrou em 654: foi aliada de Piedras Negras e, por pouco tempo, de Tikal, ambas na Guatemala. Por ter sido uma cidade rica, guarda muitas esculturas lindas e as famosas estelas monolíticas talhadas, além dos relevos narrativos talhados nas pedras dos linteis das portas dos templos.
Mas se você tem medo de morcego, prepare seu coração. A entrada da cidade, em si, é pelo templo Labirinto, escuro e dentro do qual há váaaarios morcegos. Eles não fazem nada com os visitantes, mas até eu que não tenho medo – e estou acostumada com os rasantes deles na janela do meu apartamento, por causa da amendoeria que tem na frente – fiquei um tantinho em pânico. Tive que respirar fundo para vencer o pavor de andar pelo Labirinto – que, como o nome diz, não te leva em linha reta para dentro de Yaxchilán – nos corredores escuros, sabendo que os morcegos estavam voando por todo lado e fazendo aquele barulhinho irritante.
Mas vale MUITO a pena vencer o medo. Yaxchilán é uma viagem no tempo. E se torna, depois que você volta para casa, aquele tipo de lembrança que te faz dar um sorrisinho, assim, do nada. Inclusive ao se lembrar dessa parte do morcego.
P.S.: Além dos morcegos, outro bicho irritante de Yaxchilán são os mosquitos. Leve repelente e reaplique frequentemente, porque faz muito calor e derrete tudo.
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Gostei da viagem, Sheila. Estou aguardando as próximas, confortavelmente de minha poltrona. Bjs
Oi Sheila, vi no site do Ric q vc vai fazer a Europa Central. Vai qudo? Me escreve! Abraços!
Oi, André.
Já fui e já voltei. Foi uma espécie de mini-férias, 10 dias só… Fui para Viena e Praga. Vou escrever aqui no blog sobre os lugares, em breve.
Abraço!
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