Jökulsárlón: você ‘on the rocks’

É difícil escolher a paisagem mais impresssionante da Islândia. A sensação,  quase sempre, é de estar em outro planeta. Mas o lago glacial Jökulsárlón é  de tirar o fôlego. Literalmente, inclusive. É um ambiente tão frio que às vezes é difícil até para respirar.

Vatnajökull ao fundo

Jökulsárlón fica no final da porção Sul do glacial Vatnajökull, o maior do mundo fora dos pólos. O gelo condensado por centenas de anos é empurrado para outra geleria, Breiðamerkurjökull, e de lá vai quebrando e caindo no lago, que fica lotado de icebergs. Lentamente, eles flutuam para o mar, a poucos metros de distância.

Blocos caindo do Breiðamerkurjökull

Icebergs rumo ao mar

Praia on the rocks...

O curioso (ou trágico, para os ambientalistas) é que o lago não existia até 1934. Antes, era só gelo. A “poça” foi crescendo, crescendo… em 1975 chegou a 7,9 km². Hoje, tem 18 km² e continua expandindo, por causa do acelerado derretimento das geleiras islandesas.

Uma rosa é uma rosa

Mais curioso ainda é que muito islandeses, mesmo vendo o gelo derreter à sua frente, não acreditam no aquecimento global. Dizem que eras glaciais são cíclicas. E argumentam que há quase dois séculos, a temperatura média na ilha era 2 graus mais alta. Depois veio uma onda de frio que ampliou as geleiras. E agora elas estão derretendo de novo. Quando um estrangeiro fala de aquecimento global, eles chegam a soltar um risinho sarcástico.

É, quente lá não é. Nem no verão. Fato.

É primavera na Islândia...

E o bom de Jökulsárlón é que é super acessível. Fica entre Reykjavík e Höfn, no Sul do país, e bem pertinho da Rodovia 1, também chamada de Estrada Anel (Ring Road), porque dá a volta em toda a ilha. Não é a única estrada no país, mas é como se fosse. As outras podem ficar intransitáveis à menor chuva. E mesmo a Anel fecha em alguns trechos no inverno. Esse mesmo percurso Reykjavík-Höfn, simplesmente a ligação entre a capital e a terceira  maior cidade, pode ser interditado por causa da neve e gelo. Não à toa a passagem de avião, se comprada com um pouco de antecedência, é mais barata do que a de ônibus.

Mas do alto não tem graça. No verão (e fim da primavera e início de outono), a viagem entre Reykjavík e Höfn é imperdível. Em 11 horas, mais ou menos, você tem a chance de passar por Vík, que é uma gracinha de cidade e a parada para almoço do ônibus, e a entrada do Parque Nacional Skaftafell, o maior da Islândia. Além disso, pouco antes de chegar a Höfn, o ônibus faz uma parada de meia hora na Jökulsárlón. Dá tempo de dar uma caminhada rápida e tirar fotos. Na volta, a mesma coisa. Cerca de uma hora depois de partir de Höfn, parada no lago glacial.

Se você ficar com invejinha de quem está passeando de barco pelo lago, dá para agendar esse passeio em agências de turismo em Höfn.

No verão, o ônibus faz o trajeto todos os dias. Mas atenção: sai de Reykjavík às 8h30 e de Höfn às 11h. No inverno, se a estrada estiver aberta, circula também uma vez por dia, mas sem tantas “paradas turísticas”, e apenas às terças, sextas e domingos. Horários e partidas, você vê aqui. A passagem, na desvalorizada coroa islandesa, custa  o equivalente a R$ 160.

Para os fãs de cinema e publicidade: Jökulsárlón é praticamente a estrela de alguns filmes e propagandas. A cena mais famosa rodada lá é a da perseguição de carros em 007 – Die another day:

8 Comentários

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8 Respostas para “Jökulsárlón: você ‘on the rocks’

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  3. Gostei do título! E me impressionei, já que cheguei aqui pelo link de “É fácil” de um outro post, ao ver que realmente não é difícil visitar o lago. Não vou dizer que fiquei com vontade de ir, porque de frio, cara, eu já estou de saco cheio.

    Mas, aqui, se eles não acreditam em aquecimento global, pelo menos se arriscam a congelar nadando no lago glacial?

    • smassis

      Não nadam… pelo menos não nesse. No “verão” nadam em outros lagos, não-glaciais. Nesse não dá pra mergulhar nem 5 minutos!

  4. Janisse

    Adorei o post!
    Muito bom mesmo, a maioria das informações sobre “iceland” não são em português
    Obrigada!

    • smassis

      Obrigada, Janisse. Tenho mais alguns posts para escrever sobre a Islândia, ainda. Mas infelizmente ando com menos tempo do que gostaria para atualizar o blog… Se a sua viagem para lá ainda for demorar um pouco, volte aqui para ver novidades. Abraço

  5. Pingback: Vatnajökull: lar do Grimsvötn e outros vulcõezinhos | Com a mochila nas costas

  6. Oi! Devo ir para a Islândia no fim de novembro. Quero ver a aurora boreal, algumas paisagens etc Sei que é inverno, mas gostaria de algumas dicas e lugares imperdiveis, se você puder passar, por favor🙂

    abs

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