Arquivo do mês: abril 2010

Uxmal, beleza de arquitetura maia

Apesar de menos conhecidas do que a irmã Chichén Itzá, as ruínas de Uxmal são um dos conjuntos mais bem preservados e impressionantes da arqueologia maia no México. Era uma importante cidade na península de Yucantán e foi habitada por vários povos – o mais famoso deles os maias.

As ruínas vistas do topo da Gran Pirámide

Embora Uxmal signifique “construída três vezes”, na verdade a cidade foi erguida em cinco períodos diferentes. Na arquitetura que vemos hoje aparece uma forte influência dos indígenas do Norte do México, em imagens de serpente, símbolos fálicos e colunas. As fachadas são lindas, lindas, trabalhadas quase sempre em honra ao deus Cha’ac, que governava o regime de chuvas.

Representações de Cha'ac no Cuandrángulo de las Monjas

Sua presença na arquitetura de Uxmal é a prova do quanto a água era escassa e essencial para a sobrevivência da cidade. Yucantán é, na verdade, um grande aquífero, onde a água está concentrada debaixo do solo, protegida por rochas. Não há rios visíveis. Algumas cidades maias têm poços naturais, chamados de cenote. Mas Uxmal, não. A primeira ruína que vemos ao chegar no parque arqueológico é uma espécie de piscina, usada para coletar água no período de chuva. Na seca, essa era a única provisão disponível. Por isso, o centro da cultura em Uxmal era dedicada a Cha’ac, as oferendas eram para que a chuva não faltasse.

O templo Casa del Adivino, o primeiro grande que se vê na chegada a Uxmal

Em cima de um morrinho, o Palacio del Gobernador tem a fachada mais detalhada do estilo arquitetônico Pucc, característico da região

O Cuandrángulo é como se fosse uma praça envolta de construções. É de onde se assiste ao 'Luz y Sonidos'

Não há consenso entre os arqueólogos sobre o motivos de Uxmal ter sido abandonada por seu povo em 900 a.C., mas acredita-se que uma seca prolongada tenha tornado a vida inviável na cidade.

Como visitar

Uxmal fica a 80 km de Mérida, no estado mexicano de Campeche. Não é difícil chegar de carro às ruínas e o estacionamento custa US$ 1. Também dá para chegar lá no famoso ônibus da Rota Puuc, mas a volta pode ser demorada. Dependendo da hora – e se for sábado ou domingo – os ônibus de volta para Mérida passam lotados e você terá que esperar na estrada.

Quando fui, o calor estava infernal e eu já estava que nem pimentão, esturricada pelo sol. Com medo de uma insolação, deixei para visitar Uxmal à tarde e ficar à noite para o espetáculo Luz y Sonidos, que conta a história da cidade e sua parceria com Chichén Itzá. É um pouco cafona, mas até que é bonito guardar as lembranças das ruínas sendo iluminadas, coloridas, no breu da noite de Campeche.

A parte engraçada é que na encenação em que os maias pediam chuva à Cha’ac, começou a cair um temporal. Assim que o espetáculo acabou, acabou a chuva. Parece que Cha’ac fez as pazes com Uxmal.

Não é possível visitar Uxmal à noite sem que você já tenha comprado o pacote Luz y Sonidos. Custa cerca de US$ 60, mas inclui transporte Mérida-Uxmal-Mérida, a entrada para o parque e para o espetáculo. Para mim, que não queria tomar sol demais, valeu a pena. Para comprar, fale com o recepcionista do hotel/pousada/albergue onde estiver em Mérida. Eles contratam o serviço na agência de viagens e você só precisa esperar na recepção, na hora marcada. Molezinha.

À tarde, entretanto, o sol e o calor são inevitáveis, então use bastante protetor solar e tome litros de água. A sensação é de tomar um banho de suor, principalmente depois de chegar ao topo da Gran Pirámide. Mas não deixe de subir a escadaria! Será sua única oportunidade de estar no alto de uma pirâmide maia. Todas as outras foram fechadas, porque existe o risco de a pessoa cair.

Gran Pirámide, a única onde ainda é possível subir nas ruínas maias do México

É que os degraus são estreitos, para que os maias subissem de lado, sem olhar diretamente para o topo, em posição de submissão. Funciona para a devoção. Mas para viajantes, é um perigo.

Outro item importante na visita a Uxmal: repelente. Os mosquitos atacam mesmo! Não se esqueça de levar, tampouco de reaplicar, por causa do suor.

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Europa vai suspender proibição de líquido na bagagem de mão

Até 2013, todos os aeroportos da Europa deverão se adaptar para cumprir uma indicação da União Européia: instalar scanners de líquido. O objetivo é suspender a proibição, na bagagem de mão, de embalagens com mais de 100 ml de líquido, remédio, pasta, creme e gel.

“Essa deve ser uma melhora significativa em termos de conveniências na hora de viajar”, disse Helen Kearns, porta-voz da comissão de Transporte da UE. “Para os passageiros, queremos simplificar o máximo possível os controles de segurança”.

As restrições de líquido na bagagem de mão causam transtorno e prejuízo para viajantes todos os dias nos aeroportos do mundo. Todo mundo conhece pelo menos uma pessoa que já tenha sido obrigada a entregar um item esquecido na bolsa ao segurança. A situação piora quando é remédio.

Os Estados Unidos ainda não deram indicação de que vão aliviar as restrições impostas desde o 11 de Setembro. A proibição de líquidos, no entanto, só começou em 2006, quando foi descoberto um plano para explodir um avião em voo transatlântico. Segundo as autoridades, os explosivos embarcariam camuflados em garrafas de isotônico e seriam detonados por aparelhos com pilhas alcalinas.

Para embarque internacional no Brasil, as regras atuais são as seguintes, de acordo com a Anac e a Infraero:

– Líquidos, géis, pastas devem estar em saco plástico ou necessaire transparente de até 20cm x 20cm
– O volume máximo de cada recipiente deve ser de 100ml. Frascos que excedam esta medida não podem ser transportados na bagagem de mão mesmo que estejam parcialmente cheios
– Bebidas e líquidos comprados nas lojas da rede dufry nos aeroportos podem ser conduzidas pelo passageiro durante o voo, mas é indispensável que estejam embalados e selados, e acompanhados da nota fiscal de compra da data do voo

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Lakagígar ou a outra vez em que a Islândia incomodou a Europa

O cancelamento de voos esta semana não é a primeira vez que uma erupção vulcânica na Islândia tem forte impacto na vida na Europa. Em 1783, o chão se abriu, derramando lava no Sul da ilha e jogando na atmosfera uma densa coluna de fumaça.  Foram oito meses de intensa atividade, que catalisaram nada mais nada menos do que a Revolução Francesa.

As Crateras de Laki, ou Lakagígar, abriram-se entre 8 de junho de 1783 e fevereiro de 1784. Os gases de flúor e dióxido de enxofre expelidos pela lava mataram metade dos rebanhos de carneiros – praticamente a única carne que os islandeses tinham à disposição, exceto pelo peixe. A agricultura foi arruinada. Calcula-se quem 25% da população da Islândia na época tenha morrido de fome. Milhares de descendentes de vikings desistiram da terra de gelo e fogo e emigraram, principalmente para os EUA e Canadá.

As fissuras do Laki, 200 anos depois

Como agora, o vento soprou a nuvem de cinzas para a Europa. Sol e lua eram vistos como que fora de foco, atrás de uma véu de cinzas, um fog constante. A semeadura da primavera ficou prejudicada pelo clima, os pastos minguaram e vários rebanhos do continente também morreram. Os países mais afetados foram Noruega, Holanda, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Espanha, mas os efeitos foram sentidos inclusive na América do Norte e Norte do Egito. Navios não podiam sair dos portos para fazer entregas. O inverno foi de um rigor ímpar. Sem colheita, sem carne, o povo passava fome. Da revolta com a indiferença da monarquia de Paris nasceu a Revolução Francesa.

Em oito meses, o derramamento chegou a 14 km cúbicos de lava basáltica. Não foi, entretanto, o recorde do Laki. Em 934, o sistema liberou 19.6 km cúbicos de lava.

Lakagígar

As crateas do Laki ficam em uma área extensa e remota no Sul da Islândia. Como é um campo de lava, a única estradinha do local só é aberta nos meses de alto verão – julho e agosto. Isso, se não estiver chovendo. O acesso mais “fácil” é feito pela vila de Kirkjubæjarklaustur, que significa “convento da igreja da fazenda”. Um potente jipe com tração nas quatro rodas e GPS é artigo de primeiríssima necessidade.

Se  trekking você tiver alguns dias para fazer trekking, é possível chegar à região caminhando do Parque Nacional Skaftafell.

Mas se estiver com pressa e ainda assim quiser ver as consequências das erupções no Sul da Islândia, vale ir de ônibus de Reykjavík para Höfn, uma viagem linda sobre a qual já falei aqui. Pra lá da metade do caminho a estrada cruza o “sandar”, palavra islandesa para um deserto de cinzas e rochas trituradas à beira mar. Foi formado por constantes erupções vulcânicas embaixo das geleiras, como esta que acontece em Eyjafjallajökull. O derretimento causa inundação em toda área, os rios glaciais transbordam e a água corre até o mar. Esse violento fenômeno recebe o simpático nome de “jökulhlaup”.

Pintura feita por crianças no muro de uma escola em Höfn

O maior sandar do mundo, o Skeiðarársandur, com 100 quilômetros quadrados, corta ao Sul da ilha a única rodovia islandesa. É uma imensidão de terra negra, quase um deserto.

Skeiðarársandur com o mar ao fundo

Skeiðarársandur com o mar ao fundo

Skeiðarársandur, com a geleira ao fundo

A vastidão do Skeiðarársandur

É uma paisagem mangnífica de se ver pela janela do ônibus. Paisagem que pode estar se formando neste momento no parque Þórsmörk, onde fica a geleira Eyjafjallajökull e seu vulcão.

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