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Em Bonampak, as mais sofisticadas pinturas pré-hispânicas das Américas

A ida a Bonampak é feita no mesmo dia de Yaxchilán, por aquele tour comprado em Palenque. O sítio arqueológico maia ocupa 2,4 km, mas os visitantes vêem as construções mais impressionantes numa área bem menor: a Gran Plaza. É lá que ficam os prédios do reinado de Chan Muwan II, que aceitou assumir o trono desta cidade maia em 776  a.C.

Vista geral de Bonampak

Uma estela no centro da Gran Plaza

Estela mostra o rei

Apesar de pequena, Bonampak é única em um sentido: abriga afrescos que são considerados as mais sofisticadas pinturas pré-hispânicas das Américas. Olhando o Templo de las Pinturas de fora, você não imagina o quanto ficará maravilhado – mesmo que as pinturas tenham sofrido com a má conservação desde que o sítio foi “descoberto”, em 1946. Diagramas do lado de fora do templo ajudam a identificar a história contada lá dentro, a coroação de Chan Muwan II.

Templo de las Pinturas, enquanto estava em manutenção

O teto do templo, por dentro

A coroação de Chan Muwan II

Cortejo para a coroação

Eram os deuses astronautas

Quando visitei Bonampak, vários arqueólogos estavam trabalhando in loco, inclusive no Templo de las Pinturas. Tomara que consigam preservar essa maravilha dos povos nativos do continente.

Degraus curtos na escadaria. Os maias (e nós) eram obrigados a subir de lado, sem olhar o templo de frente, em sinal de reverência

Ao chegar lá em cima, o pit stop para recuperar o fôlego é inevitável

A serpente (deus Cha'a, da chuva) em um dos cinzéis de Bonampak

Vista do alto. E os arqueólogos trabalhando

Um dos calendários que mostram "o fim do mundo como os maias o conhecem" em dezembro de 2012

Depois de Bonampak, o tour Yaxchilán-Bonampak acabou e voltamos para Palenque, em duas horas e meia de viagem, pelo menos.

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Yaxchilán, a onírica rival de Palenque

Palenque e Chichen Itzá podem ser os sítios arqueológicos mais famosos do Sul do México, mas há outros igualmente impressionantes. Um deles é Yaxchilán, exatamente na fronteira com a Guatemala, à beira do rio Usumacinta, em Chiapas.

Pelo rio Usumacinta

O rio, aliás, é a única maneira de se chegar à antiga cidade maia. Eu fui a Yaxchilán partindo de Palenque, rumo à Frontera Corozal para, de lá, pegar um barco. Em Palenque, você pode pagar um passeio de um dia inteiro, que inclui Yaxchilán e Bonampak, outro sítio maia perto da Guatemala. Não é caro e essa realmente é a maneira mais barata de se chegar ao local. Por conta própria vai ser mais difícil, vai consumir muito mais tempo e dinheiro, por causa das passagens terrestres e porque você teria que alugar, por conta própria a lancha e contratar alguém para pilotá-la pelo Usumacinta – o rio é caudaloso e cheio de bancos de areia. Tem que ter experiência com ele, não dá para você simplesmente pilotar o barco, mesmo que saiba. A viagem pelo rio dura quase uma hora, partindo de Frontera Corozal. E o trecho Palenque-Frontera Corozal pouco mais de 4 horas.

A primeira visão de Yaxchilán que temos do rio

A cidade é muito legal porque suas ruínas estão bem completas e você anda por ela tendo aquela sensação de ser transportado no tempo. É inesquecível. A primeira menção sobre Yaxchilán apareceu em 1833. Mas o Instituto Nacional de Antropologia e História do México só fez escavações em 1972-1973, 1983 e no início da década de 1990. Justamente porque ainda é um pouco contramão chegar lá e porque a abertura do sítio é recente, a visitação é pequena. E a sensação de ser transportado no tempo fica melhor ainda: parece que você está um sonho.

A área central de Yaxchilán, a Gran Plaza

Yaxchilán, que significa “pedras verdes”, foi  grande centro maia no período clássico. Potência dominante no Usumacinta, teve sob seu jugo centros menores, como Bonampak. Era uma cidade rival de Palenque, com quem guerrou em 654: foi aliada de Piedras Negras e, por pouco tempo, de Tikal, ambas na Guatemala. Por ter sido uma cidade rica, guarda muitas esculturas lindas e as famosas estelas monolíticas talhadas, além dos relevos narrativos talhados nas pedras dos linteis das portas dos templos.

Vista do Usumacinta

Estela com a representação do líder Pájaro Jaguar IV

Relevo talhado nas pedras dos linteis contam a história da cidade

Mas se você tem medo de morcego, prepare seu coração. A entrada da cidade, em si, é pelo templo Labirinto, escuro e dentro do qual há váaaarios morcegos. Eles não fazem nada com os visitantes, mas até eu que não tenho medo – e estou acostumada com os rasantes deles na janela do meu apartamento, por causa da amendoeria que tem na frente – fiquei um tantinho em pânico. Tive que respirar fundo para vencer o pavor de andar pelo Labirinto – que, como o nome diz, não te leva em linha reta para dentro de Yaxchilán – nos corredores escuros, sabendo que os morcegos estavam voando por todo lado e fazendo aquele barulhinho irritante.

O Labirinto, antes de entrar na cidade

A entrada do Labirinto

Morceguinhos logo na entrada

Fachada do Labirinto, já dentro de Yaxchilán

Mas vale MUITO a pena vencer o medo. Yaxchilán é uma viagem no tempo. E se torna, depois que você volta para casa, aquele tipo de lembrança que te faz dar um sorrisinho, assim, do nada. Inclusive ao se lembrar dessa parte do morcego. 🙂

O campo de juego de pelota, jogo maia que lembra o futebol

Edifício 33, na Acrópolis, tem o telhado mais bem preservado do sítio arqueológico

Pirâmide na Acrópolis

P.S.: Além dos morcegos, outro bicho irritante de Yaxchilán são os mosquitos. Leve repelente e reaplique frequentemente, porque faz muito calor e derrete tudo.

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A colonial San Cristobal de las Casas

Um dos tesouros do México, San Cristobal de las Casas é uma linda cidade colonial no estado de Chiapas, no Sul do país, fronteira com a Guatemala. A melhor coisa a se fazer lá é caminhar, caminhar e caminhar pelas ruazinhas e mercados, aproveitando que, por estar no alto de um vale, a cidade é muito mais fresquinha do que as outras cidades de Chiapas, como Palenque. No inverno, o termômetro pode chegar a 2ºC à noite.

Ruas coloniais

A temperatura amena dos 2.100 metros de altitude, aliás, é um alívio para quem chega do calorão úmido de mais de 40 graus de Palenque. À noite, quando o termômetro caiu para 10ºC (era início do outono), me deu vontade de sair de blusa de alcinha pelas ruas, só para celebrar.

Catedral de San Cristobal, protetor dos viajantes

A barroca igreja de Santo Domingo

Come-se bem em Chiapas. Há restaurantes de vários tipos de cozinha do mundo todo. Mas o melhor é o café: os grãos de Chiapas são especiais, por causa do clima. O café pode ser puro ou, para esquentar um pouco, eles colocam cravos, o que dá um gostinho mais picante. Delicioso.

A cidade é rodeada por dezenas de vilas dos povos indígenas Tzotzil e Tzeltal e é o coração de uma das regiões de maior tradição nativa do México. Chiapas é também o berço da guerrilha zapatista – o Exército Zapatista de Libertação Nacional – e, apesar de a luta armada estar suspensa, a influência de Comandante Marcos e seus homens não se perdeu. As feiras são cheias de camisas do EZLN e, para as crianças, tem bonequinhos guerrilheiros, feitos pelos indígenas.

Iconografia zapatista

A tradição é tão arraigada entre os povos de Chiapas, que até a famosa cow parade ganhou em San Cristobal de las Casas uma versão de jaguares – animal sagrado para os maias e outros nativos.

Revolución até no café

Atualmente, San Cristobal tem cerca de 200 mil habitantes e não é mais a capital de Chiapas. Mas vale muito mais a pena ser visitada do que a capital em si, Tuxtla Gutiérrez.

De ônibus
Eu cheguei em San Cristobal vinda de Palenque, que fica dentro da selva, nos pés do vale. A viagem de ônibus durou cerca de oito horas. São muitas curvas e muito morro para subir. Dependendo da época do ano, há pelo menos quatro saídas diárias de Palenque para San Cristobal. Eu peguei o ônibus da madrugada, o que menos parava pelo caminho. Em alguns horários a viagem pode demorar mais ainda.

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Um mergulho no cenote Ik-Kil

Depois de passar horas sob o sol em Chichen Itzá, nada melhor do que dar um mergulho num cenote refrescante. O mais próximo é o cenote sagrado Ik-Kil, onde os reis maias e suas cortesãs se banhavam.

O cenote fica dentro da área do parque eco-arqueológico e é acessível por caminhada. Mas como visitei Yucatán em setembro e estava um calor insuportável, preferi ir de microonibus.

Há uma entrada de US$ 6, que dá direito ao banho e uso dos banheiros e vestiários. O passeio do cenote não está incluído no de Chichen Itzá, mas avise seu guia que quer conhecer. Ele pode sondar com o resto do grupo se todos querem ou te encaixar num outro grupo de visitantes.

Visto do alto, o cenote é uma beleza. Dá vontade de pular de lá de cima mesmo. Mas não pode, claro. É necessário descer uma escada que leva até a água.

Foto de Sheila Machado

O cenote visto da superfície

O mergulho é inacreditavelmente delicioso. A água é fresca, sem ser gelada, com uma temperatura de 25ºC. Limpíssima, é uma diversão ver os peixinhos. Do alto da gruta caem cipós e pequenas  quedas d’água. Também dá para pular na água a partir de um platô na gruta, e não existe o risco de bater com o pé ou com a cabeça numa pedra, como acontece em cachoeiras. O cenote tem profundidade de 50 metros. Só arqueólogos já foram capazes de chegar ao fundo.

Foto de Sheila Machado

Água fresquinha

Um hotel cinco estrelas está sendo construído para os visitantes com mais dinheiro poderem passar a noite no ecoparque. Os dormitórios serão em formatos de palapas, as casas maias ovais, mas com todo o conforto que espera aqueles que podem pagar pagar por um hotel cinco estrelas. As plantas e flores da decoração serão nativas do território maia.

O resturante, aparentemente, será o mesmo que hoje já serve os visitantes de Ik-Kil, o Xaybe’h. É um bufê com comidas típicas regionais. Nada muito delicioso, mas vale para experimentar vários pratos de uma vez só. Custa cerca de US$ 12. Bebidas são cobradas à parte.

O que é um cenote?

São buracos no solo de pedra-pomes, cheios de água que corre de rios subterrâneos. Podem ser profundos ou rasos.

Na península de Yucatán, há cerca de 3 mil cenotes. Apenas 1400 já foram estudados por geólogos ou arqueólogos.

Sagrados para os maias, os cenotes serviam como fonte de água potável e entrada para o mundo subterrâneo, para onde vão os mortos.

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Uxmal, beleza de arquitetura maia

Apesar de menos conhecidas do que a irmã Chichén Itzá, as ruínas de Uxmal são um dos conjuntos mais bem preservados e impressionantes da arqueologia maia no México. Era uma importante cidade na península de Yucantán e foi habitada por vários povos – o mais famoso deles os maias.

As ruínas vistas do topo da Gran Pirámide

Embora Uxmal signifique “construída três vezes”, na verdade a cidade foi erguida em cinco períodos diferentes. Na arquitetura que vemos hoje aparece uma forte influência dos indígenas do Norte do México, em imagens de serpente, símbolos fálicos e colunas. As fachadas são lindas, lindas, trabalhadas quase sempre em honra ao deus Cha’ac, que governava o regime de chuvas.

Representações de Cha'ac no Cuandrángulo de las Monjas

Sua presença na arquitetura de Uxmal é a prova do quanto a água era escassa e essencial para a sobrevivência da cidade. Yucantán é, na verdade, um grande aquífero, onde a água está concentrada debaixo do solo, protegida por rochas. Não há rios visíveis. Algumas cidades maias têm poços naturais, chamados de cenote. Mas Uxmal, não. A primeira ruína que vemos ao chegar no parque arqueológico é uma espécie de piscina, usada para coletar água no período de chuva. Na seca, essa era a única provisão disponível. Por isso, o centro da cultura em Uxmal era dedicada a Cha’ac, as oferendas eram para que a chuva não faltasse.

O templo Casa del Adivino, o primeiro grande que se vê na chegada a Uxmal

Em cima de um morrinho, o Palacio del Gobernador tem a fachada mais detalhada do estilo arquitetônico Pucc, característico da região

O Cuandrángulo é como se fosse uma praça envolta de construções. É de onde se assiste ao 'Luz y Sonidos'

Não há consenso entre os arqueólogos sobre o motivos de Uxmal ter sido abandonada por seu povo em 900 a.C., mas acredita-se que uma seca prolongada tenha tornado a vida inviável na cidade.

Como visitar

Uxmal fica a 80 km de Mérida, no estado mexicano de Campeche. Não é difícil chegar de carro às ruínas e o estacionamento custa US$ 1. Também dá para chegar lá no famoso ônibus da Rota Puuc, mas a volta pode ser demorada. Dependendo da hora – e se for sábado ou domingo – os ônibus de volta para Mérida passam lotados e você terá que esperar na estrada.

Quando fui, o calor estava infernal e eu já estava que nem pimentão, esturricada pelo sol. Com medo de uma insolação, deixei para visitar Uxmal à tarde e ficar à noite para o espetáculo Luz y Sonidos, que conta a história da cidade e sua parceria com Chichén Itzá. É um pouco cafona, mas até que é bonito guardar as lembranças das ruínas sendo iluminadas, coloridas, no breu da noite de Campeche.

A parte engraçada é que na encenação em que os maias pediam chuva à Cha’ac, começou a cair um temporal. Assim que o espetáculo acabou, acabou a chuva. Parece que Cha’ac fez as pazes com Uxmal.

Não é possível visitar Uxmal à noite sem que você já tenha comprado o pacote Luz y Sonidos. Custa cerca de US$ 60, mas inclui transporte Mérida-Uxmal-Mérida, a entrada para o parque e para o espetáculo. Para mim, que não queria tomar sol demais, valeu a pena. Para comprar, fale com o recepcionista do hotel/pousada/albergue onde estiver em Mérida. Eles contratam o serviço na agência de viagens e você só precisa esperar na recepção, na hora marcada. Molezinha.

À tarde, entretanto, o sol e o calor são inevitáveis, então use bastante protetor solar e tome litros de água. A sensação é de tomar um banho de suor, principalmente depois de chegar ao topo da Gran Pirámide. Mas não deixe de subir a escadaria! Será sua única oportunidade de estar no alto de uma pirâmide maia. Todas as outras foram fechadas, porque existe o risco de a pessoa cair.

Gran Pirámide, a única onde ainda é possível subir nas ruínas maias do México

É que os degraus são estreitos, para que os maias subissem de lado, sem olhar diretamente para o topo, em posição de submissão. Funciona para a devoção. Mas para viajantes, é um perigo.

Outro item importante na visita a Uxmal: repelente. Os mosquitos atacam mesmo! Não se esqueça de levar, tampouco de reaplicar, por causa do suor.

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Café da manhã, Yucatán style

A cozinha mexicana talvez seja a única das mais conhecidas que não me faça salivar. Até como, mas não gosto de abacate e coisas com milho – ou seja, a base dessa culinária. Nem de tequila eu gosto! Então, a hora das refeições no México era sempre complicada, o que também foi uma experiência nova para mim, que adoro comer.

O café da manhã, por exemplo. Dentro de resort, é ótimo, mas aquela coisa de sempre. Fora, pelo menos na península de Yucatán, é assim:


Feijão no café da manhã?

O pão de fôrma, manteiga e a geléia eu pedi à parte. Geralmente são só as tortillas com ovos rancheiros com bastante chilli, banana frita e os frijoles refritos ou, como mineiro chama, tutu.

Exceto pela sem graça tortilla Nada é ruim de verdade. Mas no café da manhã… só em dia de muita fome. E ressaca.

No dia-a-dia, as pessoas não comem isso tudo logo que acordam. Mas, para os padrões brasileiros, também não comem pouco. É uma cestinha de tortillas frescas com carne desfiada, de porco ou frango. E muita, muita pimenta. Nas paradas de ônibus, eu pedia um pacote de biscoitos ou daqueles pãozinhos prontos. Mas só eu comia isso.

Café

Já o café de Chiapas… esse sim é delicioso. Aroma e sabor maravilhosos. É como na serra de Chiapas é um pouco frio, eles têm um preparo especial de café, com especiarias, para esquentar. Uma das que consegui identificar foi cravo. Há outros sabores na xícara, mais difíceis de saber quais são.

Um bom lugar para tomar o café de Chiapas em San Cristolbal de las Casas é o Café Museo Café (MA Flores, 10). Como o nome diz, lá também funciona um museu que conta a história do cultivo do grão em Chiapas. A entrada para o museu  é US$ 1 e geralmente fica aberto entre 9h e 17h. O café em si funciona de 9h às 9h30.

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Palenque, maravilha do mundo maia

Jóia da arqueologia no México, Palenque é o mais importante conjunto de ruínas maias da América Central. Rivaliza, talvez, com Tikal, ali pertinho, na Guatemala. Mas hoje é consenso entre os arqueólogos que Palenque foi culturalmente mais importante do que Tikal, pela quantidade de expressões arquitetônicas, artísticas e religiosas encontradas ali desde que foi “redescoberta” por exploradores espanhóis que chegaram a Chiapas no século 16.

Vista geral da principal área arqueológica

Sob o comando de K’inich Janaab’ Pakal – Pacal, o Grande – seu governante mais importante, que assumiu o poder no ano de 603, Palenque viveu o auge da construções de edifícios inovadores. Um dos projetos mais impresssionates foi o hoje chamada de Palácio, com paredes e teto cobertos de argamassa feita com conchas moídas e cal, moldadas com figuras que representam as cerimônias e atividades dos governantes e dos deuses.

Ilustração mostra o filho de Pacal herdando o trono do espírito do pai

O Templo das Inscrições, a imensa pirâmide que domina a praça central de Palenque, também conta o dia-a-dia de quem governava os maias da cidadela. Sua importância não para aí. O edifício é um dos mais estudados do mundo maia, não apenas por ter uma função crucial – servir de monumento funerário para o rei Pacal – mas também por ter as incrições mais detalhadas e importantes já encontradas por quem pesquisa o mundo maia. Há, ainda, painéis esculturais dentro da tumba de Pacal.

Templo das Inscrições, tumba de Pacal

Há até bem pouco tempo era possível subir a escadaria que leva à entrada mais alta da pirâmide. Agora, está proibido. Primeiro, porque a respiração humana aumenta ainda mais a umidade na tumba, o que pode acelerar a degradação das inscrições. Segundo, porque muitas pessoas já se acidentaram nos degraus estreitos da íngrime subida.

Foto de Sheila Machado

Palácio dos Governadores, visto da praça cerimonial, com a Torre, à direita

Palácio dos Governadores por dentro. As estelas falam da captura de prisioneiros pelos guerreiros de Palenque

Dentro da ala de moradias do Palácio dos Governadores

Úmido em Palenque, sempre é. É área de selva e o sítio fica muito perto do rio Usumacinta. E a cidade chama tanta atenção dos viajantes justamente por isso. É uma experiência única andar pelas ruínas no meio da floresta. No inverno, faz uns 30 graus. No verão, prepare-se: mais de 40 graus e muita, muita umidade. Traga água e bastante filtro solar. O sol é inclemente.

Templo no Grupo de las Cruces

Palenque se estende por cerca de 15 km selva adentro e é dá para fazer algumas trilhas dentro do parque.

Na conta dos arqueólogos, até hoje foram descobertas 500 edificações. No entanto, apenas 34 foram excavadas até agora.

Neste vídeo, você tem a perspectiva de quem está no centro da praça principal. Vê-se o Palácio e sua torre, o Templo das Inscrições, o Templo da rainha Vermelha, o Templo de la Calavera e uma ceiba, a árvore sagrada dos maias:

Como chegar

A maneira mais fácil de chegar às ruínas é pegando uma Kombi, por menos de R$ 1,50, na cidade de Palenque, que surgiu depois da descoberta do sítio arqueológico. Muitos turistas – americanos e europeus – preferem não se hospedar na cidade, mas numa área de pousadas e campings no meio da floresta, entre Palenque cidade e Palenque ruínas. Chama-se El Pachán. Mas se você espera conforto, escolha hotéis maiores, na mesma estrada. Os quartos em Pachán são limpos, porém espartanos. Nem têm ar condicionado. As Kombis também passam por Pachán. O percurso da cidade até a ruína não demora mais do que 20 minutos. De táxi, dá uns R$ 10.

Palácio dos Governadores por dentro

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