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La Pasiva: chivito e pancho para matar a fome no Uruguai

Quando você diz que está de malas prontas para Montevidéu, duas dicas costumam ser onipresentes: vá ao Mercado del Puerto e ao La Pasiva. O primeiro é um antigo mercado com vários quiosques de churrasco, orgulho do Uruguai. Imperdível mesmo. O segundo é uma rede de restaurante/lanchonete/choperia que tem dois sanduíches como atração turística: o básico e delicioso pancho, um cachorro-quente sem molho, só pão de leite e salsicha; e o chivito, um tipo de x-tudo que pode ser de filé, lombo canadense ou outros frios.

O La Pasiva de Ciudad Vieja

La Pasiva

“Ah, mas que graça tem em pão com salsicha sem molho?”, você diria. Pouca, é verdade. O pulo do gato do La Pasiva está num molho branco, que não é maionese, que os uruguaios usam no pancho como se o mundo fosse acabar. A receita é tão secreta que o molho nem tem nome, é apenas “la salsa”. Sozinho, tem um gosto bem estranho, ácido. Mas combina tão perfeitamente com a salsicha que fez do pancho do La Pasiva um clássico dentro do clássico que já é o cachorro-quente.

O pancho, em versão sem salsa...

 

... e com salsa

O chivito também é feito com um pouco dessa salsa no pão. Mas acho que não vale muito a pena acrescentar, como se fosse catchup ou mostarda. Aliás, no chivito nenhum molho precisa ser acrescentado – basta o pouco da salsa que já vem com ele. O pão é tostado, aí vem o molho, a carne, um ovo cozido e a salada. É, sem queijo. Não precisa de queijo. Não precisa de nada. É perfeito do jeito que é. E, completíssimo, vale por uma refeição!

Poderoso mata-fome

Close no chivito!

Fazendo a pesquisa para saber se o molho tinha mesmo um nome ou não, me deparei com a informação que tem La Pasiva na Argentina e no Rio Grande do Sul. Quero ir quando for a Porto Alegre! No site consta que o endereço é Av. Cristóvão Colombo, 545 – Shopping Total – Porto Alegre/RS.

Anotado.

(Não, este não é um post patrocinado. É um post de fã)

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Domingo de sol em Montevidéu

Fazia 30 graus, mas o calor parecia bem pior do que quando faz 30 graus no Rio. Essa não foi a única surpresa. Não imaginei que os moradores de Montevidéu aproveitassem tanto a Rambla, o calçadão que une a cidade, do Centro a Pocitos.

Não cheguei a andar até Pocitos. Preferi ficar no Centro. E achei bem legal aquela tarde de novembro.

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Mercado del Puerto: água na boca

Para quem gosta de comer e beber bem, um dos melhores programas de Montevidéu é o Mercado del Puerto. Trata-se de um pólo gastronômico, em um mercado do século 19, em frente ao porto, com 14 pequenos restaurantes – na maioria, você terá que se sentar no balcão. Mas essa é a graça! Ver as carnes sendo assadas, as grelhas coloridas com os pimentões e queijos, dá ainda mais água na boca.

O mercado

Embora seja um local simples, os preços no Mercado del Puerto não são exatamente baratos. Mas também não são caros – depende do corte pedido. E a qualidade das carnes compensa, muito. São pesos uruguaios deliciosamente bem gastos.

Mãos à obra

Muita gente nos fins de semana

Clima beeem mais tranquilo durante a semana

O mercado fica lotado aos sábados e domingos. É quando os uruguaios fazem uns de seus programas preferidos: sentar com uma taça de medio y medio, jogar conversar fora e, quando a fome bater, partir para um corte de carne sempre suculento. Como na Argentina, geralmente a carne vem sozinha. Se quiser, pergunte se tem acompanhamento. Os cortes, entretanto, são tão bem servidos que eu acho que nem precisa. Basta o chimichurri.

A picanha com o medio y medio do Palenque, mais seco, e uma taça do Roldós, mais doce

O medio y medio é uma bebida típica do Mercado del Puerto. Aliás, em Montevidéu, só é possível encontrá-la nos quiosques. Quer dizer, tem para vender nos supermercados também, mas nos outros restaurantes da cidade, não. É uma mistura metade-metade (como o nome indica) de vinho branco suave e espumante. Uma delícia. Refrescante. A mistura não é feita na hora, vem em uma garrafa com a marca do próprio quiosque. E não se preocupe: você não precisa pedir uma garrafa, se estiver sozinho. Eles vendem por taças também.

Os medio y medio do Mercado del Puerto são os do bar Roldós e do restaurante El Palenque. O do Roldós é mais docinho e o do Palenque, mais seco. Gostei do primeiro para beber sozinho, como aperitivo, antes de comer. É um programa mesmo: sentar no balcão e ficar conversando e bebericando. Eu tomei o segundo nas duas vezes em que comi no Palenque e acompanhou picanha e carneiro. A maioria dos uruguaios iria preferir combinar a carne com vinho tinto, mas eu não queria perder a oportunidade de beber medio y medio. Achei que combinou, sim. Sabe quando combina contrastando, complementando? Foi assim.

E, sim, fui no Mercado del Puerto várias vezes. Bem no plural. Fiquei viciada. Fui lá todos os dias em que estive em Montevidéu. Fiz questão de almoçar lá sempre. E é a lembrança mais saudosa que tenho da cidade, das tardes de medio y medio e boa carne…

O Mercado del Puerto fica na esquina das ruas Piedras e Yacaré. É fácil achar, dá pra ver de longe. Apesar de ficar aberto nos fins de semana até as 21h, não é aconselhável andar por lá depois que escurece. O mercado fica numa área pouco movimentada da Ciudad Vieja, onde há muitos prédios abandonados e casos de furto nas ruas não são raros. Além disso, a maioria dos quiosques – todos, durante a semana – fecha às 16h. Então, nem vale a pena. É um programa para almoço, para passar a tarde. Um ótimo programa.

Fim de festa no Palenque

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