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A colonial San Cristobal de las Casas

Um dos tesouros do México, San Cristobal de las Casas é uma linda cidade colonial no estado de Chiapas, no Sul do país, fronteira com a Guatemala. A melhor coisa a se fazer lá é caminhar, caminhar e caminhar pelas ruazinhas e mercados, aproveitando que, por estar no alto de um vale, a cidade é muito mais fresquinha do que as outras cidades de Chiapas, como Palenque. No inverno, o termômetro pode chegar a 2ºC à noite.

Ruas coloniais

A temperatura amena dos 2.100 metros de altitude, aliás, é um alívio para quem chega do calorão úmido de mais de 40 graus de Palenque. À noite, quando o termômetro caiu para 10ºC (era início do outono), me deu vontade de sair de blusa de alcinha pelas ruas, só para celebrar.

Catedral de San Cristobal, protetor dos viajantes

A barroca igreja de Santo Domingo

Come-se bem em Chiapas. Há restaurantes de vários tipos de cozinha do mundo todo. Mas o melhor é o café: os grãos de Chiapas são especiais, por causa do clima. O café pode ser puro ou, para esquentar um pouco, eles colocam cravos, o que dá um gostinho mais picante. Delicioso.

A cidade é rodeada por dezenas de vilas dos povos indígenas Tzotzil e Tzeltal e é o coração de uma das regiões de maior tradição nativa do México. Chiapas é também o berço da guerrilha zapatista – o Exército Zapatista de Libertação Nacional – e, apesar de a luta armada estar suspensa, a influência de Comandante Marcos e seus homens não se perdeu. As feiras são cheias de camisas do EZLN e, para as crianças, tem bonequinhos guerrilheiros, feitos pelos indígenas.

Iconografia zapatista

A tradição é tão arraigada entre os povos de Chiapas, que até a famosa cow parade ganhou em San Cristobal de las Casas uma versão de jaguares – animal sagrado para os maias e outros nativos.

Revolución até no café

Atualmente, San Cristobal tem cerca de 200 mil habitantes e não é mais a capital de Chiapas. Mas vale muito mais a pena ser visitada do que a capital em si, Tuxtla Gutiérrez.

De ônibus
Eu cheguei em San Cristobal vinda de Palenque, que fica dentro da selva, nos pés do vale. A viagem de ônibus durou cerca de oito horas. São muitas curvas e muito morro para subir. Dependendo da época do ano, há pelo menos quatro saídas diárias de Palenque para San Cristobal. Eu peguei o ônibus da madrugada, o que menos parava pelo caminho. Em alguns horários a viagem pode demorar mais ainda.

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Jaguar parade

Cow parade que nada. Em San Cristobal de las Casas, capital de Chiapas, no México, o animal homenageado em obras de arte é o jaguar.

Aliás, animal, não. Deus.

A visão de mundo dos maias é que a terra é plana, com com quatro cantos, correspondendo aos quatro pontos cardeais. Cada canto tem uma cor: Leste, vermelho; Norte, branco, Oeste, negro e Sul, amarelo. Para sustentar o céu, há em cada canto um jaguar, na cor correspondente ao seu ponto cardeal. Na mitologia maia, os jaguares são chamados de ‘bacabs’. E cada um é responsável por atender a pedidos do povo: colheita farta, chuva, valentia na guerra…

San Cristobal é considerada a capital indígena do México. Não é de se espantar que lá as pessoas – a maioria maias – ainda cultivem os ritos, mesmo que um pouco modificados. O culto ao bacab pode hoje ser feito através da arte, mas se mantém em praça pública:

E ainda serve para agradecimentos e para atender pedidos:

Agradecer pela colheita do café

... pela colheita do milho

E até por bons sonhos

Os maias acreditavam que a terra era plana com quatro cantos, correspondendo aos quatro pontos cardeais e cada uma dessas direções tinha uma cor: leste – vermelho; norte-branco; oeste-negro; sul-amarelo. Para o centro, foi eleita a cor verde. Para sustentar o céu, segundo a mitologia maia, em cada canto havia um jaguar, de cor diferente para cada ângulo. Na selva onde se desenvolveu a cultura maia, o jaguar era um animal importante e se chamava “bacabs”.

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